Depoimento de Dona Adelaide Rocha

  • Dona Adelaide Rocha

Resumo

Meu marido [Seu Leocádio] já nasceu aqui mesmo. A família dele já era daqui. Ele nasceu em 1932, 27 de abril de 1932, quando ele nasceu. A mãe dele chegou aqui em 1910, 1913 por aí. Eu conheci meu esposo aqui mesmo. Quando eles vieram para cá, que eu estou falando, é quando Nimuendajú estava catando os índios por aí, lá por Barão [de Antonina], lá pelo litoral. Ele foi no Barão trouxe um povo de lá, depois foi lá para Santos e trouxe outro povo de lá para acampar aqui, porque aqui estava sem ninguém, quando os Kaingang já tinham deixado essa terra. Aí, que ele foi catar os índios por aí, para trazer para cá. Nessa ocasião que ela veio com a família dela. Ainda ela contava para nós que o pai dela largou o cafezal, largou os maquinários de fazer farinha, largaram tudo para lá, para vir embora para cá. Aí, veio ela, vieram as primas dela. Só que é que nem eu estou falando: uns não se acostumaram, voltaram para trás, esse povo que está para lá, os parentes dela, tem o Toninho, tem o Isec, tem o Enoque, tem o... sei lá, tem mais o capitão Branco, ela sempre falava do [Capitão] Antônio Branco que você falou. Você perguntou se eu conheci? Ele veio uma vez, ele e o fi ho dele, o Fernando [Branco], a gente conheceu e eles ficaram aqui. E essa gripe espanhola veio e matou todo mundo, morreram todos, só ficou ela da família; morreu a irmã dela, morreu o irmão, morreu o sobrinho, o esposo, tudo, ficou ela, ela quase morreu também. Ela falou que foi Deus que não quis que ela morresse e ela ficou, que era para ela contar as histórias. Aí, ela casou e aqui ela produziu os filhos, os filhos casaram, veio os netos, e ela faleceu agora. Em 1996, acho que ela faleceu; e só ficou nós aqui, os filhos, as noras.
Publicado
2014-11-18
Seção
Escritos Indígenas