“O bom mesmo é ficar sem capitão”: o problema da “administração” das reservas indígenas Kaiowá/Guarani, MS

  • Antonio Brand

Resumo

O artigo insere-se em um trabalho mais amplo, referente ao impacto da perdada terra sobre o modo de vida dos Kaiowá/Guarani. A transferência de inúmerasaldeias para reservas, demarcadas entre 1915 e 1928, significou além do deslocamentogeográfico e correspondente perda da terra, a inviabilização da economia tradicional.A unidade social básica dos kaiowá/guarani é a família extensa, reunida em torno dostekoaruvicha (líderes religiosos). Com o confinamento, a população das aldeiastradicionais é compulsoriamente reunida em espaços reduzidos, provocandodificuldades para a administração das reservas, gerando uma ampla gama de conflitosdecorrentes da imposição da figura do capitão sobre a autoridade dos tekoaruvicha. Apesquisa vale-se de ampla documentação existente nos arquivos públicos, de entrevistasmediante a utilização de técnicas de história oral e da observação etnográfica.Palavras-chave: Sociedades indígenas - organização política - confinamento.

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Publicado
2014-11-18
Seção
Artigos