“Fronteiras e políticas que atravessam a identidade e a sociabilidade indígena”: uma análise acerca dos sentidos das migrações Palikur na fronteira Brasil-Guiana Francesa

Palavras-chave: Palikur, fronteira Brasil-Guiana Francesa, identidade, migrações.

Resumo

O presente artigo tem como objetivo discutir a sociabilidade do povo Palikur, habitante da fronteira franco-brasileira a partir da concepção de identidade e de fronteira étnica, de forma a perceber como esses indígenas sofreram e lidaram com as políticas dos Estados brasileiro e francês após o Laudo Suíço de 1900. No tocante ao contato com as políticas dos Estados, os Palikur são obrigados a conviver com fronteiras impostas por não indígenas, que reverberam historicamente em sua sociabilidade, mas que, apesar do fator “identidade nacional”, mantém a identidade étnica Palikur, utilizando as identidades francesa e brasileira justamente para se adaptarem à fronteira geopolítica, e usando os movimentos migratórios como artifício principal.

Biografia do Autor

Venâncio Guedes Pereira, Universidade Federal do Amapá - UNIFAP
Graduado em História pela Universidade Federal do Amapá, mestrando do programa de pós-graduação em Estudos de Fronteiras (PPGEF/UNIFAP) e especialista em Antropologia (Universidade Cândido Mendes). Dedica-se a pesquisas sobre fronteiras e comunidades indígenas em situações fronteiriças.
Carmentilla das Chagas Martins, Universidade Federal do Amapá - UNIFAP
Graduada em História pela Universidade Federal do Amapá. Doutora em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Pará. Dedica-se a pesquisas sobre cidades, mobilidades e migração em território onde se localizam fronteiras internacionais na Amazônia. Professora adjunta na Universidade Federal do Amapá, com atuação no curso de Licenciatura em História e no Mestrado Profissional em Estudos de Fronteiras (PPGEF/UNIFAP).

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Publicado
2019-09-03
Seção
Dossiê 2: História Indígena, Etno-história e Indígenas Historiadoras/es: experiências descolonizantes, novas abordagens