Pedagogias indígenas: o que têm a ensinar?

Conteúdo do artigo principal

Jucilene Miranda da Silva
https://orcid.org/0009-0009-1460-356X
Daniele Gonçalves Colman
https://orcid.org/0000-0001-5051-1472

Resumo

O artigo é fruto das inquietações e reflexões que impulsionaram a construção dos problemas da tese de doutorado intitulada “Narrativas de Professores(as) indígenas sobre suas práticas pedagógicas em escolas de São Gabriel da Cachoeira-AM”, vinculada ao programa de pós-graduação em Educação da Universidade do Vale do Rio dos Sinos e ao seu grupo de pesquisa em Educação, Diversidade e Cidadania (GPEDiC). Elencam-se alguns desafios enfrentados na coletividade – como o desmatamento, as questões climáticas, os vírus, entre outros – e as possibilidades presentes nas práticas cotidianas dos povos originários, destacando-se o diálogo, o respeito com a casa comum e seus habitantes, tudo isso constituído a partir dos ensinamentos que circundam na coletividade da vida desde sua concepção, ou seja, de “bem viver”. O diálogo é estabelecido com autores que discutem essa temática, como Luciano (2006), Rezende (2025, 2016, 2018), Krenak (2020); e o trabalho tem por objetivo geral repensar nossas práticas, tendo como base as vivências desses povos, tão necessários, porém muitas vezes ignorados em seus saberes. Os objetivos específicos da pesquisa são: sensibilizar para uma educação comprometida com a formação de cidadãos conscientes e corresponsáveis com o espaço onde vivem; e viabilizar medidas que contribuam para o cuidado da casa comum, fragilizada pelos intensos maus-tratos provocados pelo descuido das pessoas. Trata-se de uma discussão a partir das experiências junto aos povos indígenas do Alto Rio Negro, Amazonas.

Detalhes do artigo

Como Citar
Silva, J. M. da, & Colman, D. G. (2026). Pedagogias indígenas: o que têm a ensinar?. Tellus, 26(55), e26979. https://doi.org/10.20435/tellus.v26i55.979
Seção
Artigos
Biografia do Autor

Jucilene Miranda da Silva, Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS)

Doutoranda em Educação pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS). Mestre em Educação pela Universidade Católica Dom Bosco (UCDB). Graduada em Letras – Português pela Universidade Federal de Rondônia (UNIR). Pesquisadora do Grupo de Pesquisas em Educação, Diversidade e Cidadania (GPEDiC/UNISINOS/CNPq) e Professora na Rede Estadual de Educação do Amazonas.

Daniele Gonçalves Colman, Universidade Estadual do Mato Grosso do Sul (UEMS)

Pós-doutoranda pela Universidade Estadual do Mato Grosso do Sul (UEMS). Bolsista Fundect/Cnpq. Doutora em Educação pela Universidade Católica Dom Bosco (UCDB). Mestre em Educação pela UCDB. Graduada em História pela UCDB. Foi bolsista de Extensão no projeto do Centro de Documentação Teko Arandu – Cedoc: preservação do patrimônio histórico e cultural indígena no MS e bolsista do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID) da UCDB. Foi professora de História na Escola Estadual Adventor Divino de Almeida e professora substituta na Escola Henrique Cirylo Correa. Historiadora.

Referências

ACOSTA, Alberto. O bem viver: uma oportunidade para imaginar outros mundos. São Paulo: Editora Elefante, 2019.

BACKES, José Licínio. A construção de pedagogias decoloniais nos currículos das escolas indígenas. EccoS–Revista Científica, São Paulo, n. 45, p. 41-58, 2018.

BAUMAN, Zygmunt. Identidade: entrevista a Benedetto Vecchi. São Paulo: Companhia das Letras, 2005.

CATAFESTO, José Otávio. Pedagogia indígena é a pedagogia para o próximo milênio. [Entrevista cedida a] Luciana Forgiarini. Humanista, Porto Alegre, 19 abr. 2019. Disponível em: https://www.ufrgs.br/humanista/2019/04/19/entrevistahumanista-pedagogia-indigena-e-a-pedagogia-para-o-proximo-milenio. Acesso em: 7 maio 2023.

CLASTRES, Pierre. La société contre l’Estat. Paris: Minuit, 1974.

CUNHA, Manuela Carneiro da; MAGALHÃES, Sônia Barbosa; ADAMS, Cristina (Org.). Povos tradicionais e biodiversidade no Brasil: contribuições dos povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais para a biodiversidade, políticas e ameaças. São Paulo: SBPC, 2022. Disponível em: http://portal.sbpcnet.org.br/publicacoes/povos-tradicionais-e-biodiversidade-no-brasil/#:~:text=O%20projeto%20%E2%80%9CPovos%20tradicionais%20e,e%20cientistas%20de%20muitas%20%C3%A1reas. Acesso em: 7 maio 2023.

FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996.

KOPENAWA, Davi; ALBERT, Bruce. A queda do céu: palavra de um xamã yanomami. São Paulo: Companhia das Letras, 2015.

KRENAK, Ailton. A vida não é útil. São Paulo: Companhia das Letras, 2020.

LUCIANO, Gersem José dos Santos. Projeto é como branco trabalha; as lideranças que se virem para aprender e nos ensinar: experiências dos povos indígenas do Alto Rio Negro. 2006. Tese (Doutorado em Antropologia) – Universidade de Brasília (UnB), Brasília, 2006.

MELIÀ, Bartolomeu. Educação indígena na escola. Cadernos Cedes, Campinas, v. 19, n. 49, 1999.

RADLER, Juliana; SPINDEL, Marina. Diálogo entre ciência e conhecimento indígena no Alto Rio Negro. Instituto Socioambiental, Brasília, 31 ago. 2021. Disponível em: https://site-antigo.socioambiental.org/pt-br/noticias-socioambientais/dialogo-entre-ciencia-e-conhecimento-indigena-no-alto-rio-negro. Acesso em: 7 maio 2023.

REZENDE, Justino Sarmento. Transformação da vida de um menino tuyuka no internato salesiano de Pari-Cachoeira: leitura antropológica do internato como uma estrutura total (1970-1979). Tellus, Campo Grande, MS, v. 18, n. 37, p. 89-104, 2018.

REZENDE, Justino Sarmento. Homens e mulheres indígenas contemporâneos da região do Rio Negro, Amazonas. Tellus, Campo Grande, MS, n. 31, p. 153-161, 2016.

REZENDE, Justino Sarmento. Ciências e saberes tradicionais. Tellus, Campo Grande, MS, n. 25, p. 201-213, 2015.

RIBEIRO, Rodrigo Barbosa. O racismo contra os povos indígenas: panorama dos casos nas cidades brasileiras entre 2003 e 2019. Mana, Rio de Janeiro, v. 28, n. 2, 2022.

SANTOS, Boaventura de Sousa; MARTINS, Bruno Sena. O pluriverso dos direitos humanos: a diversidade das lutas pela dignidade. São Paulo: Autêntica, 2019.

SANTOS, Cirlene Batista do. A (re)organização do território e bem viver para os povos indígenas do Alto Rio Negro: da maloca à cidade. 2019. Dissertação (Mestrado em Geografia) – Universidade Federal do Amazonas (UFAM), Manaus, 2019.

VIVEIROS DE CASTRO, Eduardo. “No Brasil, todo mundo é índio, exceto quem não é”. In: In: RICARDO, Beto; RICARDO, Fany (Org.). Povos indígenas no Brasil. São Paulo: Instituto Socioambiental, 2006. p. 41-49.