A Universidade Pluriétnica Indígena Aldeia Marakanã (UPIAM), o Transfluências de Saberes/UFRJ e o Comitê de Cultura/MinC: tríade do compartilhamento de (R)Existência Cultural

Contenido principal del artículo

Beatriz Brandao
https://orcid.org/0000-0002-1481-8634
Mariana Mayerhoffer
https://orcid.org/0009-0001-4312-720X
Maria das Graças Xavier Dias Dias

Resumen

Este artigo investiga a relação entre a cultura e uma universidade indígena, analisando os desafios e as possibilidades presentes nas ações da Universidade Pluriétnica da Aldeia Marakanã na concepção, organização, produção e execução do evento Transfluências de Saberes. A pesquisa deste artigo busca compreender como a Universidade Indígena, em compartilhamento de saberes, mas protagonizando os processos, pode contribuir para a (re)existência cultural, a decolonização do conhecimento e a formação de lideranças indígenas. A partir de uma revisão da literatura e com um olhar particular para a relevância do Transfluências de Saberes, buscamos compreender de que modo iniciativas que promovem o encontro entre saberes originários/tradicionais, acadêmicos e políticos, como este evento, podem contribuir para a construção de um espaço mais decolonial para a universidade ocidentalizada, visando que a academia possa abarcar os saberes silenciados pelo epistemicídio histórico e corrente. Costurado em três vozes femininas: uma antropóloga, uma psicanalista e uma liderança indígena, o artigo discute a importância da interculturalidade, da autonomia indígena e da articulação entre os saberes tradicionais e os conhecimentos acadêmicos.

Detalles del artículo

Cómo citar
Brandao, B., Mayerhoffer, M., & Dias, M. das G. X. D. (2026). A Universidade Pluriétnica Indígena Aldeia Marakanã (UPIAM), o Transfluências de Saberes/UFRJ e o Comitê de Cultura/MinC: tríade do compartilhamento de (R)Existência Cultural. Tellus, 26(55). https://doi.org/10.20435/tellus.v25iesp.1104
Sección
Universidades Interculturales Indígenas en el Mundo
Biografía del autor/a

Beatriz Brandao, Afya Universidade Unigranrio

Pós-doutorado em Sociologia da Cultura pela Universidade de São Paulo (USP). Doutora em Ciências Sociais pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). Mestra em Ciências Sociais pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Professora dos Programas de Pós-graduação em Humanidades, Cultura e Artes (PPGHCA) em Ensino de Ciências e Saúde (PPGECS) da Unigranrio Afya. Coordenadora Executiva e Geral do Comitê de Cultura do Estado do Rio de Janeiro na Política Nacional dos Comitês de Cultura do Ministério da Cultura – MinC.

Mariana Mayerhoffer, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

Doutora em Pesquisa e Clínica da Psicanálise pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ). Mestrado em Pesquisa e Clínica em Psicanálise pela UERJ. Graduação em Musicoterapia – Conservatório Brasileiro de Música – Centro Universitário. Residência em Saúde Mental, em nível de especialização, pelo Instituto Philippe Pinel. Membro do Laço Analítico Escola de Psicanálise/Sede Rio, onde atua como psicanalista efetiva, professora do curso de formação e coordenadora de seminário sobre política, instituição pela qual atua ainda como Delegada no Movimento de Articulação das Entidades Psicanalíticas Brasileiras. Psicanalista. Musicoterapeuta. Profa. Adjunta da UFRJ, no Instituto de Psiquiatria – IPUB/UFRJ, por onde é coordenadora do GEPEA TRANSFLUÊNCIAS DE SABERES UFRJ/CNPq – Grupo de Ensino, Pesquisa, Extensão e Assistência. Membra do Conselho Deliberativo do Núcleo de Estudos Afrobrasileiros e Indígenas (NEABI-UFRJ) e da Comissão de Validação de candidatos Indígena ao acesso à graduação da UFRJ, assim como é docente do Curso de Especialização em Clínica Psicanalítica. Membra do Laço Analítico/Escola de Psicanálise, por onde é delegada no Movimento Articulação das Entidades Psicanalíticas Brasileiras. Membra da Universidade Nômade Brasil. Mãe de Nino e Mel.

Maria das Graças Xavier Dias Dias, Universidade Pluriétnica Indígena Aldeia Marakanã (UPIAM)

Universidade Pluriétnica Indígena Aldeia Marakanã (UPIAM). Ensino médio, segundo grau pela Escola Municipal Cientista Mário Kroeff.

Citas

ACOSTA, A. O bem viver: uma oportunidade para imaginar outros mundos. Tradução de Tadeu Breda. São Paulo: Autonomia Literária, Elefante, 2016.

CASTRO, E. V. Os pronomes cosmológicos e o perspectivismo ameríndio. Mana, [S. l.], v. 2, n. 2, p. 115–144, out. 1996. DOI: https://doi.org/10.1590/S0104-93131996000200005

FREIRE, P. Pedagogia da esperança: um reencontro com a Pedagogia do oprimido. São Paulo: Paz e Terra, 1992.

GRAÇA Machel reconhecida como defensora dos direitos das mulheres e crianças. O país, Baixa Maputo, 31 ago. 2024.

GUAJAJARA, U. J.; GUAJAJARA, P. Em nossas artérias, nossas raízes. Teko haw Maraka’na. Rio de Janeiro: Aldeia Maracanã/Cesac, Universidade Indígena Aldeia Maraka’na, 2022.

KOPENAWA, D.; ALBERT, B. A queda do céu: palavras de um xamã yanomami. Tradução: Beatriz Perrone-Moisés. São Paulo: Companhia das Letras, 2015.

KRENAK, A. A vida não é útil. São Paulo: Companhia das Letras, 2020.

LACAN, J. Televisão. In: LACAN, J. Outros Escritos. Rio de Janeiro: Zahar, 2003.

MAYERHOFFER, F. M. A. Sustentar o céu e fazer o eu advir: reflexões sobre “A queda do céu” e o advento do eu no fim de análise. Lugar Comum, Rio de Janeiro, n. 62, jan. 2022.

MIGNOLO, W. D. Colonialidade: o lado mais escuro da modernidade. Revista Brasileira de Ciências Sociais, São Paulo, v. 32, n. 94, p. e329402, 2017. DOI: https://doi.org/10.17666/329402/2017

PACHAMAMA, A. Guerreiras: mulheres indígenas na cidade, mulheres indígenas da aldeia. Rio de Janeiro: Pachamama Editora, 2018.

RAMOS, N. Cultura e política: ensaios sobre o Brasil. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2001.

SANTOS, B. S.; GUILHERME, M.; DIETZ, G. Da universidade à pluriversidade: Reflexões sobre o presente e o futuro do ensino superior. Revista Lusófona de Educação, Lisboa, v. 31, n. 31, p 201-212, 2015.

SANTOS, B. S. Descolonizar o saber, reinventar o poder. São Paulo: Cortez, 2014.

SHIVA, V. Recuperar a terra, nosso alimento e nossa agricultura. Instituto Humanitas UNISINOS, São Leopoldo, 14 mar. 2020.

UNESCO. Records of the General Conference: 31st Session – Resolutions. [volume I]. Paris: Unesco, 2002.

ZANOTTO, G. Política cultural: um campo de disputa. São Paulo: Annablume, 2004.